sábado, 14 de novembro de 2009

Te segue



Segue teus passos quem, incauto,
teus versos não leu,
quem, ausente, não bebeu do teu olhar,
não sentiu o sabor
amargo,
desta taça em que pousaram.

Segue teus caminhos, desatento,
quem não mede teus gestos,
quem não sente tuas asas,
quem não sabe chorar.

Segue teus dias quem, em desalento,
se deixou amordaçar,
quem, ferido,
já não sabe voar!


Ilustração: farm4

sábado, 7 de novembro de 2009

Cativa

Desvenda este mistério,
torna tudo mais claro,
mesmo nesta noite
escura,
sem luar.
Abre teu sorriso,
cativa a todos nós
com tuas verdades felizes.
Não torna a nos fazer
temer,
a nos fazer sentir
teu misterioso
olhar...
Ilustração: thaiscine

domingo, 1 de novembro de 2009

Velho retrato

Ah... aquela imagem difusa,
quase apagada, quase esquecida,
teus olhos quase sombrios,
o sorriso ainda claro,
o mistério, eterno,
tão presente.

Ah... aquela falsa realidade,
aquela ausente presença,
hoje,
só um borrão...

Ilustração: 3.bp

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tempo


Construí o tempo, lenta
e caprichosamente.
E você o derrotou em um átimo.
Fica o vazio que mastiga a
solidão
e um corpo estranho,
de um verdadeiro motivo estranho,
que afaga a minha
solidão...
Ficam tuas mãos marcadas
pelo pecado no qual
acreditas.

Ilustração: farm4.static

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vontade de ser eu

Morre,
em mim, o sonhador contumaz,
o delírio, a febre
e tudo o que me levou a voar!

Morre,
além do dia morno, suarento,
o brilho deste sol
inclemente, fogo diário!

Morre,
lentamente, toda forma de amor
e o mais estranho de todos,
naufragado nesta onda de mar.

Só não morre esta teimosa agonia,
esta desumana insistência,
esta vontade de ser, sempre,
eu!


Ilustração: varoeslabaredas

domingo, 18 de outubro de 2009

À deriva

Solto as amarras,
navego livre, sem destino,
rota incerta,
aventura desconhecida.

Descobertos pela frente,
novos rumos,
doloridos e ensolarados.

Traçar novos mapas,
novas cartas registradas,
impressões, novas,
sensações, novas.

À deriva, sigo...


Ilustração: garatujando

sábado, 17 de outubro de 2009

Nada garante


Não cabe nesta parte do dia
toda a verdade que observei
vinda daquele sorriso.

Não se pode compreender
a imensa sombra que
o silêncio da morte invoca.

Nem o íngreme caminho
a ferir meus pés
garante a eternidade
daquela verdade inicial

Ilustração: foto-damar

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sempre assim


Se tivesse algum dia,
destes em que a luz do sol escorre
e tinge toda a manhã
de cores tão essenciais,
me buscado num jardim,
talvez,
num clamor, geral,
com certeza me acharia.
E o sorriso, natural,
no meu rosto,
surgiria contra o sol,
iluminado e comovido.
Como se tivesse sido sempre assim.


Ilustração: giegu

domingo, 11 de outubro de 2009

Finjo


Finjo compreender o que me é dado,
mesmo que me doam, magoem
os meus sentidos.
É desta forma que mantenho,
artificialmente,
a sensação de vida e
amor pleno,
ilusão do tempo
sem rancor.
E deste fingimento,
angústia,
fica este gosto amargo,
este travo,
de felicidade imposta,
deste vazio,
tão densamente cheio de você...

Ilustração: ginasticandoamente

sábado, 10 de outubro de 2009

Tênue


Insiste, ainda, em arder neste coração
aquela chama baça,
quase um nada,
acesa pra você.
Trêmula e tão delicada
já é quase um ponto invisível,
quase um nada.
Teimo em protegê-la com as mãos,
para impedir que definitivamente se apague,
morra.

Ah, pobre sonhador.
Desafiar ventos tão fortes.
Lutar contra a escuridão definitiva.
Luta inglória
que já quase não se
enxerga...


Ilustração: blogfullmoon