terça-feira, 20 de julho de 2010

Canteiro


Se me dessem
um pedaço deste céu,
um canteiro que fosse,
não saberia o que
nele plantar.

Nunca tive um pedaço de céu.
Nunca plantei nada na vida,
além de sementes de
sorrisos
em teu coração...

E nenhuma destas sementes,
uma vez sequer,
chegou a brotar!


Ilustração: 1.bp

domingo, 18 de julho de 2010

Felicidade


Ah!
Também já fui feliz.
E foi tão débil a
sensação que
parti.
E velejei,
por dias e noites,
da vida.

Um tanto perdido,
um tanto confuso,
um tanto passageiro da busca.

Por tão débil
sensação.



Ilustração: internet

sábado, 17 de julho de 2010

Verdades


Procura nos dias de sol
as respostas que te faltam.
Em cada canto deles,
iluminadas,
as grandes e claras verdades.

Não deixe para as noites de inverno,
para os dias de grandes vendavais,
nem para o tempo
de seca.
Ilustração: dopensar

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Madrasta


Deixa
que a vida, madrasta,
te colha em silêncio,
te busque nos sonhos,
te faça sorrir.
Que te embale no tempo,
console tuas lágrimas,
te faça sentir
o que você quer.
Deixa
que a vida, madastra,
te arraste esta noite,
pra nunca
voltar!


Ilustração: overmundo

terça-feira, 6 de julho de 2010

Chuvas


Nuvens
desmanchadas em gotas
procuram o chão,
ressequido,
como quem procura
destino feliz.

E neste destino
descobre carências
e sonhos
e sede.

Completam-se, assim,
como nunca,
busca e espera,
saudades e presença.

Destinos!


Ilustração: cogitoetscribo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Longo inverno


Desvio das armadilhas deste
longo inverno
e canto as mais alegres
das canções.
Não paro para tentar decifrar
as mensagens da
solidão.
Ao contrário,
sigo sem me ocultar,
sem temer o alcance desta
sombra.

Caminho tão longo,
vida latente,
inverno tão quente!


Ilustração: educarfiles


segunda-feira, 21 de junho de 2010

De mim


Caminho por horas sem sequer imaginar
destinos.
Sangro, caído, sem nunca esgotar
minhas culpas.
Sinto o gosto amargo da solidão,
invariavelmente,
todos os dias.

E construo um futuro de nada,
para além de onde
cheguei.


Ilustração: notarealnamespace

sábado, 19 de junho de 2010

De que vale teu silêncio


E você fala de duras realidades,
duras palavras,
amargas memórias.
E empilha, acomoda,
velhas lembranças,
descoloridas,
doídas...

E de que vale te silenciar,
se as memórias cicatrizadas
não se apagam e,
mesmo sem tua voz,
persistem em
machucar...

ilustração: junkievilipendiados

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Meus segredos teus


qual segredo
posso ainda guardar de ti?

qual das minhas vidas
você já não devassou
e, em cálices do mais
nobre cristal,
ainda não sorveu?

qual das minhas realidades
não são tuas realidades?

e que avesso da minha
alma
você ainda não devorou?

rasga esta folha amarelada,
desfaz este teatro de peça única,
escreve um novo poema...

Ilustração: euemeueu

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Canta o homem


Canta o homem que há pouco chorava.
Bastou lembrar-se da brevidade
dos tempos,
da precariedade do que é viver,
dos olhos da amada.

Canta o homem de coração tão duro.
Bastou perceber que sua força
não está na firmeza das decisões,
mas na vida,
na precária vida e
nos olhos da amada.



Ilustração: slowdown