segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sombras


Caminhas ao meu lado apesar
deste vento áspero,
deste sol cáustico,
deste silêncio
ensurdecedor.

E pisas nas pequenas sombras
como que a querer
esmagá-las ou
a prendê-las definitivamente
ao chão.

E desvias o olhar,
tentativa inútil de querer
me evitar.
Como tentas evitar este sol,
matando as pequenas sombras.


Ilustração: flickr




terça-feira, 14 de setembro de 2010

Milagre


Como que por milagre,
suponho,
ouço novamente aquela voz que,
no passado,
não cansava de ouvir.
Não se perdeu no tempo,
portanto,
e tem ainda o timbre maduro
de voz que não envelheceu.

Como que por milagre.



Ilustração: terezagama

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vida!


E o circo,
antigo palácio de fantasias e diversões,
morada do sorriso e da surpresa,
se foi...

E não levou sua festa
a novos ou antigos lugares.
Se foi!

O tempo se encarregou de
assassiná-lo.
Sem dó nem piedade.
Sem ingenuidade.

Que bom!
Agora não há mais como rir.
Nem como ser feliz.
Nem ao menos naquela
hora e meia que a magia durava.


Ilustração: click21

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Olhos fechados...


Cores que escorrem pelos olhos,
visão toldada,
doce cegueira,
encantos e brilhos,
impossíveis a olho nu.
Inesgotáveis.
Sexto e mais prazeiroso
sentido -
imaginação.

Imaginar, quase tocar,
tão forte, tão frágil...
tão você,
tão eterna.
Escorre pelos olhos,
fechados!

Ilustração: 3.bp

sábado, 4 de setembro de 2010

Se você existisse...


Falaria de noites amenas,
se você existisse.
Dos mistérios e domínios da lua e,
como todo romântico,
de infindáveis caminhadas,
de chão tão florido,
tão seguro.

Falaria de esperas eternas,
se você existisse.
De cansaços passageiros e,
como todos os incorrigíveis românticos,
de descansos.

De sorrisos honestos.
De saudades sepultas.

Mas você existe e, apesar disto,
me calo!

Ilustração: espelhoselabirintos

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Reviravolta


Não há como impedir o reboliço
que este vento traz,
nem manter teus cabelos
alinhados.
Mas é de reviravoltas e agitação
que este amor sobrevive.
Terrível a bonança,
que mantém tudo em seus lugares,
teus cabelos assentados
e este amor tão frio!


Ilustração: 2.bp

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caminhos

Distâncias desperdiçadamente percorridas.
Sorrisos travestidos de verdade.
Olhares diluídos no nada.
Passar da vida.
Restam vazios,
sobram migalhas.
E a cara feia da realidade
dói na alma, como a fome.

Inevitável caminhar.
Como em rio pedregoso,
que muito bate...
Apanhar, pra chegar...

Ilustração: deviantart


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Restos


Pelo que resta da janela
surge o sol, escaldante,
impiedoso.
Ou o que dele resta.
Arde na pele esta saudade,
esta ausência de desejar.
Ou o que dela resta.
Pelo que resta dos meus olhos
sinto tua presença,
completa.
Vejo tuas mãos,
meigas.

Ou o que delas restam...

Ilustração: espaçoaberto

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fortes ventos


Quando os ventos são de
lembranças,
quentes ou frias,
soprando sem piedade,
é tempo de saber
que a morte
não tarda por esperar.

Quando os ventos vêm
daqueles tempos,
daqueles momentos,
é tempo de
esquecer...


Ilustração: 2bp

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quisera


A casa era antiga,
daquelas de pé direito alto,
grandes janelas,
enormes e grossas portas,
do tempo dos quintais.

Lugar aprazível
onde os pássaros,
passantes,
sempre faziam pouso.

Lugar onde a lua,
tão volúvel,
se apaixonou certa vez
e lá fez morada,
como eu quisera ter feito.

Casa antiga, amor antigo.
Como já não se fazem mais...


Ilustração: google