sábado, 10 de dezembro de 2011

Canções de amor


Eles dançavam na calçada,
onde ninguém fazia isso.
Eles desafiavam as estrelas,
onde elas mais brilhavam.

E cantavam canções de amor.
Onde ele nunca existiu...



ilustração: La danse with nasturtiums - Henri Matisse

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fantasma


Anda pela casa o fantasma
de que lhe falei.
Assombra quem ainda não o conhece,
quem dele não teve notícia.

Se esquiva de quem,
desconfiado,
pede para vê-lo.

Acanhado, talvez!
Ou com muito medo dos vivos...


ilustração: data:image

domingo, 4 de dezembro de 2011

Marés


São assim mesmo
as marés.
Sempre foram.
Previsíveis, mas
arrasadoras,
algumas.

Como as mulheres
essenciais!



ilustração: t0.gstatic

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Encanto


Sorrisos que encantam os anjos,
olhares que oferecem lagos azuis.
De águas tão frescas,
de sombras tão tristes.
Apesar de tudo,
teus olhos sorriem!



Ilustração: t0.gstatic

domingo, 27 de novembro de 2011

Enganos


E pensar que,
por vezes,
muitas vezes,
fechamos os olhos
calados, seguros,
ingênuos,
pensando que a noite
sería sem preço,
apenas de sonhos...


ilustração: t0.gstatic

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vozes


Por que, teimosamente,
minha voz procura
encontrar a tua
em doces e amargas
madrugadas?

Por que a voz tão rouca
não se cala
e deixa passar tua voz,
arredia,
que insiste em me
evitar?



ilustração: t0.gstatic

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Restos


resta esta voz rouca
repetindo palavras gastas
ditas, já, centenas de vezes.
resta este olhar desgastado,
envelhecido, opaco,
que insiste em não ver...
resta este homem cansado,
este sinuoso caminho
e um destino distante demais.

de sonho, nada resta, afinal!



ilustração: t3.gstatic

sábado, 19 de novembro de 2011

Na vida!


Em tempos e noites
de nada,
a vida se corrompe
de vazios
e a solidão consagra
o fim das certezas
e o batismo da
amargura...



ilustração: t0.gstatic

domingo, 13 de novembro de 2011

Segredos


Tantas estrelas gritando
luzes, clareando esta noite
tão quente, vigiando gentes.
Parecem, distantes, silenciosas,
saber segredos,
de cada um de nós...


ilustração: t0.gstatic

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mia Couto

Mia Couto
Escritor moçambicano.
Do livro "A chuva pasmada"

Ante o frio,
faz com o coração
o contrário do que fazes com o corpo:
despe-o.
Quanto mais nu,
mais ele encontrará
o único agasalho possível
- um outro coração.


Foto: Mia Couto