quinta-feira, 24 de maio de 2012
Marcas
que este exagero,
este desvelo,
sempre aconteça
do lado de cá,
intenso e propenso
a tudo perdoar.
que esta marca rubra,
restos de atenção,
deixe traços
indeléveis,
de profunda emoção...
ilustração tirada de cardososilva.com.br
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Restava sonhar
Sempre gostou das manhãs.
Mesmo as frias ou chuvosas .
Tenras, tinham cor, sabor de
coisa nova, de
expectativa e um ar
de novidade...
Deixava-se abater
quando caía a tarde.
Nenhuma das promessas
pareciam ter se realizado
Parecia que aquele gosto
amargo voltava sempre
à sua boca.
Mas era um viciado em
sonhos.
Restava aguardar,
esperar que uma nova
manhã chegasse.
Sonhar... Restava sonhar
novamente... Sonhar
sempre!
ilustração tirada do site bohrer230361.wordpress.com
sábado, 19 de maio de 2012
Feito de esperas...
E aquele tardio amor feito de esperas,
de pouco tempo,
muita distância e
muita pressa...
Nuvem que o vento,
insensível,
sopra rápido,
deselegante,
para praias distantes onde o sol
teima em não aquecer
as manhãs...
Terá sido em vão?
ilustração: images02.olx.com.br
terça-feira, 15 de maio de 2012
Bússola
dissipar todas as brumas,
fazer ventar carinhosamente,
clarear todas as formas
de olhar...
e encontrar serenos
os teus olhos tão doces
e fazer deles,
finalmente,
o rumo a ser seguido...
ilustração retirada de surbescrito.com.br
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Insistência...
Meu pai quinze vezes já morreu,
sempre ao final da tarde,
quando a luz do dia morria
também!
Da última vez, acordei cedo
e me lembro que pouco antes,
ainda úmida a noite,
escrevia um poema,
sonhando...
Não sonhava mais aquela última
morte!
ilustração: flickr.com
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Entes e objetos
Como integrantes daquela
paisagem,
daquela cidade, daquele lugar,
nossos destinos se viam
traçados por aquele
espaço.
Não podia ser céu
quem nem azul fosse.
Não podia amar quem,
na paisagem,
fosse objeto inanimado.
Você,
se não me esqueço,
era um belo par de sapatos.
Última moda na cidade...
ilustração retirada do blog cacela.blogspot
domingo, 29 de abril de 2012
Cai o Império
Eles caem, é sina!
Desmascaram-se os reis,
abalam-se podres monarquias,
abre-se uma lacuna,
profunda, larga,
intransponível...
A vida ganha novos e claros contornos.
Os reis
e sua prole de príncipes belos,
vazios e loucos,
já não governam.
Já não conseguem mais
preservar tramas, segredos e
mentiras.
Já não conseguem mais
provocar lágrimas de piedade
e de sangue.
Já não conseguem!!!
Ilustração retirada do site bethmichel.com.br
terça-feira, 24 de abril de 2012
Lírios
Esta tarde que passa lentamente,
propositalmente preguiçosa.
A xícara pequena, onde senti o sabor
do café há pouco preparado...
O vento breve que, de repente, invasor,
toma conta da casa,
quente, confortável e esta cadeira
tão antiga...
O relógio na parede,
calmo,
cumprindo seu destino de
contar a vida,
impedir que ela deixe de passar
a cada segundo.
E este vaso, estes lírios,
este perfume...
Qual retrato da vida pode ser mais
real?...
ilustração retirada do blogue havana.flowers.blogspot
domingo, 22 de abril de 2012
Uma espécie de perda (Ingeborg Bachmann)
Usamos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos, fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por invernos, por um septeto vienense e por
verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada.
(-o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)
Sem temores religiosos, pois a igreja era essa cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
ilustração retirada do blog echidellanima.blogspot
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Em branco
esparramar
por toda esta folha branca
de papel
as mais coloridas aventuras da vida,
cores fortes, marcantes...
mas há de sobrar,
eu sei,
ainda muito branco,
na folha...
ilustração obtida no blog obeijodaborboleta
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