sábado, 15 de setembro de 2012

Disfarces em versos



Para onde foram aqueles versos,

meus versos assustados,
franzinos, covardes?
Certamente romperam distâncias
e na ânsia por fugas,
ultrapassaram limites, divisas,
fronteiras, incógnitos, cobertos
de disfarces e forçados sotaques.
Andaram estradas, caminhos, trilhas
e vazantes e a soma destes instantes
modificaram nuances e rimas.
Não mais os localizar soa prudente,
maduro.


Deixa que repousem no escuro...





ilustração obtida no alquimiasubmersa.blogspot.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pelo resto do dia!


Amanhece lentamente.
Como que a não querer, o dia, 
irromper de forma deselegante,
permitindo que os sonhos
da noite deixem o quarto
sem atropelos,
naturalmente e com calma...

As ideias vão também vagarosamente
ocupando o lugar dos  sonhos
mostrando que a realidade,
com suas cores berrantes,
é quem reina sobre tudo.

Lembranças do sonho persistem.
Estranhas, doces, misteriosas.
Mesmo despertos, lutamos ainda um tanto
para não deixá-los ir.
Vontade de agarrar-mo-nos a eles,
apenas pelo resto do dia...


ilustração obtida no wikipedia.org

domingo, 9 de setembro de 2012

Outono, já!


Ainda dentro do outono treme
aquela voz, segura, potente que
num tom entre acusador e grave
determina passos, os últimos,
a serem dados, seguidos.
Antes ouvir, calar, que esquecer.
Não há mais tempo para discórdias.

Não há mais tempo!



ilustração retirada do blog alineescreveaqui.wordpress

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Miragem ( IRA BUSCACIO )


Poesia de IRA BUSCACIO do blogue FACES DO POEMA (www.irabuscacio,blogspot.com)


MIRAGEM

O que ele vê
agora que me tornei despresença
na festa febril dos homens,
sem paisagens habitáveis
que mereçam um olho?

O que ele vê
agora que só tenho bondade,
onde antes habitava morte,
e o desejo ensaiava funerais
com dores belíssimas?

O que ele vê
agora que sou impulso trancado,
enquanto o tédio me lambe a boca
e as paredes maníacas dessa caixa
nada temem de solidão?

O que ele vê
agora que o barco já vai longe...longe!
e a menina apagou-se no cais,
dia após dia agitando o choro
como quem lava a face suja de dor?

Miragem!

Mas o que ele não vê
é uma diabólica serpente fingindo-se de morta!



ilustração retirada do blogue belasimagens.zip.net

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aquela velha casa


Permanece ainda lá a casa
daqueles tempos, com a
pintura daqueles tempos,
descascada, ruça, como o
tempo quis, o portão tão feio,
de madeira tão resistente e
a varanda cansada de tanto
aguardar chegadas.

Diferente apenas pelo vazio
estranho e pelo excesso de
pó que o tempo ali guardou.

Estão lá os corredores, com-
pridos como antes, sinistros 
como sempre, desembarcando
silenciosamente em cada velho
cômodo.

Ouvem-se, ainda, se dada a
devida atenção, os gritos,
sorrisos e choros das crianças,
hoje crescidas, que herdaram,
sem ao menos perceberem, a
alma que a casa tinha...


ilustração retirada do blogue imagenscompoemas.blogspot

sábado, 25 de agosto de 2012

Vida minha


Este vazio, esta estrada
e a chuva,
repentina, inesperada,
um alerta...
E os sorrisos das pedras,
lágrimas alternadas,
incertezas da
vida, feridas...
E o vento,também  incerto,
escuridão tão perto,
sorriso de criança...

Vivendo!



ilustração obtida em archdaily.com.br

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fé!


Queria sorrisos de sorte,
olhares de sonhos, azuis de
manhãs.
Notícias cantadas, sedosas vozes,
mãos de cumplicidade e
encanto.

Queria ventos frescos,
confortáveis, carinhosos,
arrefecendo desertos.

E poesia nos lábios, sabores
de mel... Queria...

E, apesar de tudo, ainda
não desisti!


ilustração obtida no rbg1.blogspot

sábado, 4 de agosto de 2012

Desejo de nada ( LAUREN MENDINUETA - poetisa colombiana )



Ainda é cedo.
Mil noites caíram sobre a terra
e outras mil caíram antes destas,
mas ainda não é tarde.
O vento envolve a casa com tanta força
que se diria ser uma mãe apaixonada.
Mas o vento não pode amar.
Tenho medo.
O mar não está longe daqui
e eu sou a mesma areia. sobre a qual caem
furiosas e incontidas ondas.
Mais adiante, no centro do temporal,
meus olhos buscam as razões de tanta ira.
Tenho vontade de chicotear a noite
até vê-la sangrar.
Desejo, até o infinito,
possuir algo que jamais se entregue.






Tradução livre.
Ilustração retirada do site hi5.com

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cuidado!



Deste lado da vida
as cores, nem todas,
costumam ser desbotadas.
Nem sempre o dia amanhece,
nem a noite é estrelada.
Deste lado da vida,
acredite, nunca chove
e os dentes dos cães
estão sempre à mostra.
Deste lado da vida
habitam apenas seres
estranhos, todo tipo de
insetos rasteiros e
poetas!!!




ilustração obtida no blog nirvanaexpansive.blogspot

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sou



Sou assim mesmo.
Inegável meu jeito
em cada um dos meus
descuidados passos,
em cada letra que
escrevo, em cada olhar
desastrado que arrisco.


Sou assim mesmo.
De fala pouca e
imperceptível presença,
andarilho de minha
própria vida, parca
e inconstante, sou
assim mesmo.


Sempre!




ilustração obtina no blog edendaluxuria.blogspot.com