quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tempo único


e chega o tempo sim
em que se perde todo o peso
e a pressa parece ser
encargo dos outros.


não há mais sentido

nos menores,
nos mais simples movimentos,
inúteis, supérfluos.


um tempo único

que separa o nada do
passado,
a vida do sonho...




ilustração obtida no blogue triunfofinanceiro.blogspot

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Liberdade



Desafia novamente a força de teu algoz.

Não se espera do mundo carinho e proteção,
sem que seus preços sejam cobrados.
Sorria e contradiga tudo o que te pareça irreal.
Eleve tua voz.
Não há sonho sem dor prévia, 
nem castigo que não mereças.
Saia ao sol e abomine todos os falsos presentes
que recebestes...


Dá, enfim, teu grito de liberdade!!!





ilustração retirada do manifestossa.blogspot

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Café da manhã


ansiedade por dormir,
trocar realidade por, mesmo
que embaçados, sonhos,
dos quais eu não queira fugir.
voltas e voltas na cama,
infindáveis, eternas
e o despertar de rotina...

na boca o gosto de mel
e o mais poderoso veneno,
acolhendo o tapa do dia no rosto
e seu clarão na janela,
amargo café da manhã...


ilustração retirada do blogue coffeanddreams

sábado, 15 de setembro de 2012

Disfarces em versos



Para onde foram aqueles versos,

meus versos assustados,
franzinos, covardes?
Certamente romperam distâncias
e na ânsia por fugas,
ultrapassaram limites, divisas,
fronteiras, incógnitos, cobertos
de disfarces e forçados sotaques.
Andaram estradas, caminhos, trilhas
e vazantes e a soma destes instantes
modificaram nuances e rimas.
Não mais os localizar soa prudente,
maduro.


Deixa que repousem no escuro...





ilustração obtida no alquimiasubmersa.blogspot.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pelo resto do dia!


Amanhece lentamente.
Como que a não querer, o dia, 
irromper de forma deselegante,
permitindo que os sonhos
da noite deixem o quarto
sem atropelos,
naturalmente e com calma...

As ideias vão também vagarosamente
ocupando o lugar dos  sonhos
mostrando que a realidade,
com suas cores berrantes,
é quem reina sobre tudo.

Lembranças do sonho persistem.
Estranhas, doces, misteriosas.
Mesmo despertos, lutamos ainda um tanto
para não deixá-los ir.
Vontade de agarrar-mo-nos a eles,
apenas pelo resto do dia...


ilustração obtida no wikipedia.org

domingo, 9 de setembro de 2012

Outono, já!


Ainda dentro do outono treme
aquela voz, segura, potente que
num tom entre acusador e grave
determina passos, os últimos,
a serem dados, seguidos.
Antes ouvir, calar, que esquecer.
Não há mais tempo para discórdias.

Não há mais tempo!



ilustração retirada do blog alineescreveaqui.wordpress

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Miragem ( IRA BUSCACIO )


Poesia de IRA BUSCACIO do blogue FACES DO POEMA (www.irabuscacio,blogspot.com)


MIRAGEM

O que ele vê
agora que me tornei despresença
na festa febril dos homens,
sem paisagens habitáveis
que mereçam um olho?

O que ele vê
agora que só tenho bondade,
onde antes habitava morte,
e o desejo ensaiava funerais
com dores belíssimas?

O que ele vê
agora que sou impulso trancado,
enquanto o tédio me lambe a boca
e as paredes maníacas dessa caixa
nada temem de solidão?

O que ele vê
agora que o barco já vai longe...longe!
e a menina apagou-se no cais,
dia após dia agitando o choro
como quem lava a face suja de dor?

Miragem!

Mas o que ele não vê
é uma diabólica serpente fingindo-se de morta!



ilustração retirada do blogue belasimagens.zip.net

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aquela velha casa


Permanece ainda lá a casa
daqueles tempos, com a
pintura daqueles tempos,
descascada, ruça, como o
tempo quis, o portão tão feio,
de madeira tão resistente e
a varanda cansada de tanto
aguardar chegadas.

Diferente apenas pelo vazio
estranho e pelo excesso de
pó que o tempo ali guardou.

Estão lá os corredores, com-
pridos como antes, sinistros 
como sempre, desembarcando
silenciosamente em cada velho
cômodo.

Ouvem-se, ainda, se dada a
devida atenção, os gritos,
sorrisos e choros das crianças,
hoje crescidas, que herdaram,
sem ao menos perceberem, a
alma que a casa tinha...


ilustração retirada do blogue imagenscompoemas.blogspot

sábado, 25 de agosto de 2012

Vida minha


Este vazio, esta estrada
e a chuva,
repentina, inesperada,
um alerta...
E os sorrisos das pedras,
lágrimas alternadas,
incertezas da
vida, feridas...
E o vento,também  incerto,
escuridão tão perto,
sorriso de criança...

Vivendo!



ilustração obtida em archdaily.com.br

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fé!


Queria sorrisos de sorte,
olhares de sonhos, azuis de
manhãs.
Notícias cantadas, sedosas vozes,
mãos de cumplicidade e
encanto.

Queria ventos frescos,
confortáveis, carinhosos,
arrefecendo desertos.

E poesia nos lábios, sabores
de mel... Queria...

E, apesar de tudo, ainda
não desisti!


ilustração obtida no rbg1.blogspot