terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Cartas marcadas



Parecia cansado.
Da vida, talvez! Dos jogos
de azar, que teimava em
perder. Vencido...
Das mulheres, amores.
Aquelas mulheres! Vícios.
Cartas marcadas, mão infeliz,
insistia teimoso.
Azar no jogo, azar no amor,
contrariando dito de viciados.

Cartas marcadas, mulheres também.
Mãos ruins, cartas ruins, mulheres.
Um dia chega minha sorte, dizia.
Pra que insistir?!!!


ilustração retirada do site imagens.usp.br

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Último verão


Por anos esperei, ali, no alto
da colina a chegada do verão
que, precedido de brumas, fazia,
na verdade, a vida retornar.
Por anos o vi, pontual, ao me
alcançar, silencioso e quase em
segredo, provocar  a fuga das
geladas manhãs e das neblinas
que tingiam de cinza todo este vale.

É tempo, bem sei, de me mudar,
deixar a terra que amo e caminhar
por trilhas desertas de pedras e pó.
Mas ele, como sempre, aqui estará...

No tempo certo, no dia exato,
embora eu já não esteja mais aqui.



ilustração obtida no site brasilescola.com

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mágico truque


Quando te descuidas,
e de amor te sentes plena,
vem a voz do impossível,
do acaso fortuito e,
como num truque barato,
desaparece o pombo para
em brancos lírios ressurgir.
E ainda crês nas mãos
do mágico mambembe e,
mesmo de olhos arregalados,
não compreendes onde
está a verdadeira magia...


ilustração obtida no Google imagens

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sou apenas


Sou apenas a última
hora dos bons dias,
a longa e lúcida
estrada que leva
à esquina esquecida
de todos os invernos.
Sou apenas a maré baixa,
que expõe na areia úmida
conchas e fantasias e
sonhos e noites vazias.
Sou apenas o sorriso
de um doente, verso
triste de um poema,
sem rima, sem pátria.
Sou apenas...


ilustração obtida no Google imagens

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Quase seguros


Desta viagem a seda,
desfiada em sombras e
sonhos,
as acácias brilhando
ao sol das serpentes,
caminhos estreitos de
passos pesados, trôpegos,
quase seguros...

Desta viagem a sede,
ardente nas gargantas e
bocas,
as vontades chegando
ao sol dos setembros,
sombras compridas,
deveres cumpridos,
quase seguros...



ilustração obtida no blog tbrasil.blogspot.com

sábado, 19 de janeiro de 2013

Olhares, no tempo.


Linear, segue o tempo,
Senhor das idades e acervos,
invisível condutor de almas.
Desmontando-se a cada
olhar, conta histórias comuns,
marca tempos de vitórias,
o que merece, e convém, 
ser contado.
Gasta-se na erosão
de vidas ácidas e ventos
de proa,
sal amargo batendo no rosto,
de olhares naufragados
no tempo...


ilustração retirada do Google imagens

domingo, 13 de janeiro de 2013

Momento


E pensar nele,
ainda que de forma breve,
mesmo que em silente momento,
despertava ansiedades de
noites cansadas,
de feras repentinamente surgidas
e
tamanhos calafrios e febres
que esquecer parecia a,
de todas as opções, melhor.

Tudo passa, afinal, em tão breves
instantes...



ilustração retirada do Google imagens
mulheradventista.com

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rainha


As mulheres daquela tribo,
todas morenas sem pelos,
sorridentes, sem apelos,
cansadas de rios vazios e
terra seca, sorriram quando
o anjo chegou e, dentre todas,
sua rainha escolheu...


ilustração: Davi, da tribo de Judá. viajeaqui.abril.com.br

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fim


Não são bons conselheiros
a fome e o fartar de alimentos.
Nem sempre leva a local
adequado,
o caminho calçado,
o conforto.

Vive cada segundo
a liberdade de poder sonhar.
Sufoca no teu velho coração sem asas,
a vontade de voar...



ilustração obtida no blog acaoereacaodasideias.blogspot.com.br

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ousadia


Só há um lugar suficientemente
inseguro para que eu me perca,
não encontre jamais caminho de
volta e passe a morar no paraíso.
Lugar onde possa me afogar em
delírios de paixões, umidades
quentes e perfumes de prazer.
Naufragar em pele sedosa, arrepios
de loucura (doces loucuras) e a
certeza da eternidade. Só há um
único lugar: teu coração de mulher
completa, devoradora de tédios e
tristezas. Boca de prazeres sem fim.



ilustração obtida em revistaepoca.globo.com