sexta-feira, 22 de março de 2013

Desconstrução


Desconstruo minha vida,
peça por peça, novamente.
Pela décima-oitava vez.
Ou será apenas pela
terceira?
Este tipo de desmanche até 
parece ser minha especialidade,
a carreira que,
voluntariamente, decidi seguir,
abraçar..
E, calejado, experiente,
sigo desconstruindo.
Desfaço. Perco.
Como dizem os profissionais:
Mãos à obra!



ilustração obtida no filosofiaemalbergaria.blogspot

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tudo ou nada...


Distâncias são planos,
são sonhos, desejos,
tecidos amarrotados,
barcos que se foram...
Distâncias são vazios,
lágrimas conformadas,
solidão. 
Tudo ou nada...



ilustração obtida no edurjedu.blogspot

quarta-feira, 13 de março de 2013

Doçura



Do meu lado esquerdo,
quando olho de frente para a estrada,
do lado leste,
tem uma solitária e antiga mangueira
que ano após ano tem
adoçado minha boca com aquele
delicioso caldo amarelo,
sem nada exigir além da
minha presença junto a ela
sempre que está carregada de frutos.
É mansa e calma,
como deveriam  ser as pessoas.
E ela ainda oferece, além de tanta
doçura, uma sombra sempre
fresca, um refúgio sem igual, sempre
que o sol insiste em seu açoite.

E isto, nem se pede às pessoas...



imagem retirada do blog orisval.wordpress.com

terça-feira, 12 de março de 2013

Da vida, resta!


Do silêncio que tanto se fala,
pouco se compreende ou
se evita.
Sempre para ele e seu santuário
se caminha, 
como réu condenado à morte,
como a forma mais eloquente de se
pronunciar culpado,
de não se pedir clemência.
Cumpra-se a pena...

Apenas!




ilustração obtida no noticiageral.com

domingo, 10 de março de 2013

Simplesmente


Deixar perder-se o olhar sem temor,
sem medo das distâncias,
dos caminhos desconhecidos, mistérios,
e da dor.
Sonhar verdes lugares, inundados
de sol, de sonhos, de vida...
Viver, simplesmente!



ilustração obtida no Google imagens

sábado, 2 de março de 2013

Calmaria


Não pode ser obstáculo ao vento
sombra tão mansa.
Nem dias já passados e não
esquecidos e nem contados.
Não pode arder, crepitar ao fogo
sentimentos vazios, danças tão
irreverentes, tão indecentes.
Pode, do arco da eternidade
o sorriso, estranha forma de
ventura e solidão
 e calmaria...


ilustração obtida no overmundo.com.br

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Terra sonâmbula. Aquela! - Mia Couto


Para Mia. Por tudo.

Há três espécies de homens:
os vivos, os mortos e os que
andam no mar.
                             Platão



Mil riquezas naquele teu
lugar.
Frutos gordos, apetitosos, carnudos.
Palmeiras que se dobravam
junto ao solo.
Saudades do tempo
em que ainda nem
havia nascido tudo
naquela terra que não dormia.
Naquela tua terra
sonâmbula!



ilustração: foto de Mia Couto

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Guerra declarada


Lâminas afiadas,
língua ferina,
garras,
e unhas.
A vontade de atacar.
Tocaia.
Faz do teu amado,
inimigo sonhado.
Do teu amado,
vítima de tortura.

Faz em vão:
hoje, outra vez,
nada me dói!!!



ilustração obtida no imotion.com.br

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Outono


Deitada ao sol,
preguiçosa,
a saudade das tardes
antigas 
memoriza sentimentos.
E o sorriso doce e
já feito passado,
celebra o outono
e seu renunciar de folhas.

Como sempre foi...




ilustração obtida em acessoriosmulher.com

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Relances...


Que fazer de um lapso de
memória, de brancas e nulas
lembranças de passados tão
distante, de tempos nem tanto?
Encarar o nada, o vazio,
lamentar os sorrisos não
identificados, os sorrisos tão
perdidos, o tempo desconhecido.
E é na distância entre doces e
idas carícias e incertezas que
tua imagem, difusa, me 
assombra, me assalta e,
novamente, toma conta de mim...



ilustração retirada do site serprooltrj.wordpress