domingo, 7 de julho de 2013

Adeus


Não sei, nunca soube
avaliar o tamanho da
tua ausência.
Não me acostumar a ela!
Não me sai da garganta
este sabor amargo de
fracasso, de bebida
amarga mal digerida,
de amor mal digerido...

De certo, tem o tamanho
que não quero medir...




ilustração obtida no filosofiaspessoais.blogs.sapo.pt

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Você!


Gosto das tardes assim, serenas,
das madressilvas tão delicadas,
pequenas, e de toda forma de amor.
Gosto dos sorrisos que brotam
de momentos tão simples,
olhares ingênuos, ao 
mesmo tempo cúmplices
Gosto das cruas verdades. 
Das mais duras e doloridas,
manhãs, promessas de vida
e da suportável solidão.
Das idas e vindas, mesmo
que passageiras, retratos pequenos,
amenos, perenes, verdadeiros.

De todas as pequenas coisas
que me lembram você!





ilustração obtida no site mdemulher.abril.com.br

sábado, 15 de junho de 2013

Como só a vida



Sorrisos frios
como noites de junho
como açoites,
como nada.

Passos incertos,
cambaleantes, como só
a vida pode ser,
olhares turvos, lábios secos,
mudos.

Como só a vida
pode ser...



ilustração obtida em lutwidjedodgson.blogspot

terça-feira, 4 de junho de 2013

Em casa


Não conheço os pássaros pousados
naquela árvore.
A árvore, sequer, reconheço. Nem
este caminho um dia vi.
Nunca o trilhei.
Sensação de desamparo, insegurança.
Nunca ouvi teu idioma,
mal consigo perguntar quem és...
O estranho é que estranho sou eu -
não é aqui o meu lugar.
Vagamente lembro de você.
E me lembrar de você é tudo
o que me basta, tudo o que tenho.
Estou em casa...



imagem obtida no blog honoriodemedeiros.blogspot

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Solidão é nada


Para quem viveu muito tempo só!


Solidão é água,
gelada,
que banha logo pela 
manhã,
a pele ressequida
da alma.
É travo na garganta,
arrepio no coração,
vento forte batendo,
insistente,
no rosto...
Solidão é dor sem
remédio,
poesia amarga e é
nada.
Solidão é nada.
Ninguém...




ilustração obtida no blogue zeroporcentoangels.blogspot.com

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Voar


Ah! Se voar pudesse ser toda
a felicidade que alguém conseguisse
imaginar sentir.
Se a aventura de pássaro ser
modificasse sabores e destinos,
há muito já teríamos ousado,
desafiado alturas, planado,
amado...
Há muito já teríamos!



foto obtida no g1.globo.com

domingo, 5 de maio de 2013

Tuas palavras


envelhece cada palavra que
tua boca fala e fere
quem de ti as ouve.
já não faz diferença se
elas são tão duras ou, talvez,
até meigas,
porque já não chegam
sem o som estridente
da eterna ausência.

calar não faz diferença...



imagem obtida no blog livroerrante.blogspot

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Terra Sonâmbula - Mia Couto


"O tempo passeava com mansas lentidões quando che-
gou a guerra. Meu pai dizia que era confusão vinda de fora,
trazida por aqueles que tinham perdido seus privilégios. No
princípio, só escutávamos as vagas novidades, acontecidas
no longe. Depois, os tiroteios foram chegando mais perto e
o sangue foi enchendo nossos medos. A guerra é uma cobra
que usa os nossos próprios dentes para nos morder. Seu
veneno circulava agora em todos os rios de nossa alma. De
dia já não saíamos, de noite não sonhávamos. O sonho é o
olho da vida. Nós estávamos cegos."



Capa do livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto, editado pela Companhia das Letras obtido no Google

sábado, 27 de abril de 2013

Dias de inverno


Partir se faz tão urgente
e os pés não se movem no chão.
Impedem-me sonhos perdidos,
velhos livros e um vazio completo.
Seguram-me as mãos do carrasco
e o cansaço de quase nunca viver.
Partir se faz tão urgente
quando os dias parecem tão frios...




imagem retirada do blog searadeversos.blogspot

sábado, 20 de abril de 2013

Sou eu...


Sou quem nega sem mesmo
saber, nem mesmo
duvidar.
Sou quem deixo aos olhos fugir,
sem força de reter e
nunca vejo.
Nem encontro. Nem suponho.
Sou eu, sempre eu, quem
nem mesmo
sonho!



ilustração obtida no fredericodaluz.wordpress