sábado, 7 de setembro de 2013

Retratos da cidade


Mais uma daquelas manhãs
tão frias,
a cidade quase desperta,
mal encarados transeuntes,
incomodados com o  punhal
gelado,
deste teimoso e insistente vento.
Um café quente,
carente de melhor qualidade,
ainda é a melhor defesa
para aquele punhal...
E os olhares, ainda assustados,
de quem comigo cruza,
acusam, recusam
estar tão cedo nas ruas,
caminhando para o maçante
expediente,
traiçoeiro companheiro diário...

Retratos da cidade.





ilustração obtida no dci.com.br

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sombras


Caio em mim,
às vezes.
Estou só?
Não, claro que não.
Vivo rodeado de sombras.
De todas elas...





ilustração retirada do blogs.maiscomunidade.com

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um pouco de CHICO BUARQUE


Apesar de você


Apesar de você
amanhã há de ser
outro dia
você vai ter que ver
a manhã renascer
e esbanjar poesia
como vai me explicar
vendo o céu clarear
de repente, impunemente
como vai abafar
nosso coro a cantar
na sua frente...





ilustração obtida no assefrak.blogspot

sábado, 24 de agosto de 2013

Velho baú


Procuro,
há muito, nos
restos e dejetos
da vida,
aquele derradeiro, velho
e empoeirado
sorriso.

Ainda...



ilustração obtida no ouroenferrujado.blogspot

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sombras


Mesmo após o cair da noite,
quando a escuridão envolve
e domina
cada canto da casa,
mesmo os que guardam todos
os segredos das crianças
que lá habitam,
sobrevivem os meus parcos sonhos,
teimosos,
como se a felicidade
buscasse sempre as sombras mais 
recônditas...



ilustração obtida em afinaltodomundotemumdiadespike.blogspot

domingo, 11 de agosto de 2013

Insistência


Sobe, por entre a bruma,
um olhar tão cativante.
Vai ao encontro do
desconhecido,
úmido e cheio de 
esperança...
E cai a noite
sem que termine
sua viagem.
Outra vez...



ilustração obtida no gramadomagazine.com.br

sábado, 3 de agosto de 2013

Como disse a poeta *


"Removente ave, assim te somo a mim" *

Busco as palavras, os encantos,
que te envolvam e te domem,
que deem a este amor um nome,
que te desnude e te encante.

E que este amor, mulher errante,
encontre chão e tuas mãos e
a luz que há muito promete,
que te encontre e que me faça,
enfim, rei...




* Verso do poema Amavisse, de Hilda Hilst,
mais uma de suas pérolas...

ilustração: foto de Hilda obtida no literatura.atarde.uol 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sangue e segredo


Que corrida esta vida,
que canalha...
Tão sem sentido, tão apaixonante.
Tão sem sentido, tão formal.
Cerimoniosa.
E estas madrugadas de
silêncios,
constante inquisição.

Tão supérfluas, tão completas.
tão incomuns...
Tão banais!




ilustração: Lampião e a cangaceira Maria Bonita (a não mais bonita delas)

domingo, 21 de julho de 2013

Canção


Descobrem-se, de repente, 
caminhos nunca sonhados
em meio à desorientação.
Achado inspirado em sonhos,
rotas íngremes e duras,
processo de purificação.
Festa de doces e beijos,
finalmente aquela canção...




ilustração: encontrada em catedraldeluz.blogspot




domingo, 14 de julho de 2013


Estava aqui, sozinho, calado,
cansado talvez, quando lembrei
de Juan Gelman, que sempre
diz o que eu gostaria de dizer.
Sempre...

Como agora:



Onde estão minhas muralhas?
Onde a paz de meus mortos
semente disseminada na memória
ou planta que calada cresce?
Está em ti?
Não me conheço.
Como conhecer-te?
Com que nome posso te chamar?
Como se chama na verdade a calhandra?
Silêncio és da palavra.
Quando não falo sou em ti.
Tudo o que me digo é silêncio de ti.
Pássaro que não mais voa,
boi que não mais ara,
fogo que não queima,
sol que não caminha pelo céu.
És abrigo que me desnuda em tuas muitas compaixões?
Me faz tremer de ti.
Em ti.
Cego de claridade.
Animal que pasta em tua paciência.


DAVI





ilustração obtida em blog.cancaonova.com