"Não há nenhuma diferença entre aquilo que acontecer
mesmo e aquilo que fui distorcendo com a imaginação,
repetidamente, repetidamente, ao longo dos anos.
Não há nenhuma diferença entre as imagens baças que
lembro e as palavras cruas, cruéis, que acredito que
lembro, mas que são apenas reflexos construídos
pela culpa. O tempo, conforme um muro, uma torre,
qualquer construção, faz com que deixe de haver
diferenças entre a verdade e a mentira.
O tempo mistura a verdade com a mentira."
Trecho do romance "CEMITÉRIO DE PIANOS" do escritor português JOSÉ LUÍS PEIXOTO, publicado no Brasil em 2008 pela RECORD, que releio pela terceira vez e que recomendo.