segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Quero!

De tua embriaguez
quero ser o copo,
quero ser o rosto,
o amargor
de tanta
dor...
De tua alucinação
quero ser o corpo,
quero ser o oposto,
o repouso
de tanta
dor...
Imagem: The surprise/Claude-Marie Dubufe
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Encantadora
Encantadora
A manhã se faz viva,
escaldante, já,
colorida.
Afasta de uma só vez
os pensamentos,
atitudes sombrias,
que fizeram a noite se arrastar
e,
plena de luz,
de sons, encantadora,
desentorpece este
coração!
Ilustração: overmundo
domingo, 27 de dezembro de 2009
Vitorino Nemésio
Um fio de asas
(Vitorino Nemésio)
Quando penso no mar, o mar regressa
a linha do horizonte é um fio de asas
e o corpo das águas é luar;
De puro esforço, as velas são memória
e o porto e as casas
uma ruga de areia transitória.
Ilustração: catedral
sábado, 19 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
A. M. Pires Cabral

Os velhos
(A. M. Pires Cabral)
Porque se demoram
os velhos de sal no rosto?
Sentam-se ao sol, escoram
o corpo ansiado nas bengalas
comem e riem sem gosto
Entram na igreja com gengiva nua
Mansamente pedem e adoram
Porque se demoram?
Que teima é a sua?
Porque se demoram?
Aos tropeções na casa são fastio
Os velhos de tão gasta serventia
O que pensam quando passa mais um dia?
Porque parece que choram
sempre seus olhos de frio?
Porque se demoram?
Ilustração: opinativas.files
sábado, 5 de dezembro de 2009
Desaprendemos

Tivemos, sim, momentos em que,
como na infância,
tudo parecia irremediavelmente
sorrir.
Desaprendemos como rever momentos assim,
como preservar tímidos sorrisos,
como viver deste sol.
Desaprendemos, juntos,
o sabor deste sol...
E, juntos, vimos se desintegrar
o que só se faz
juntos...
Ilustração: 2.bp
domingo, 29 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Verdadeiro
que te embaça.
Falsa ou verdadeira.
Conheço-te mais a cada sorriso
que estampas.
Falso ou verdadeiro.
Conheço-te menos a cada novo dia.
Sempre verdadeiro.
Ilustração: getty.images.com
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A.M. Pires Cabral
Silêncio (A.M. Pires Cabral)
Toda a minha vida me escutaste em silêncio.
Tinhas à disposição as vozes enormes
do vento, das águas, do trovão, do pintassilgo-
mas nunca dei por que as usasses comigo.
Envelheci enredado
nas teias dessa mudez.
Ganhei a industriosa astúcia dos velhos
à custa de perder a candura original,
li com cada vez mais desenganada luz
o teu silêncio.
Assim, a princípio achava-o cúmplice,
quente e generoso. Um silêncio
de quem concorda e apoia,
e não acha necessário proclamá-lo.
Com a continuação,
começou-me a aparecer o teu silêncio
já só condescendência. O silêncio
de alguem que se dispensa de mostrar
desacordo por simples cortesia.
Ilustração: alegriaaa.wordpress.com
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Obrigado Serena. Adoro teu blog www.serenaflor1964@blogspot.com
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Obrigado Filósofo Paulo Braccini. É um prazer ser teu amigo.