sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O QUE BUSCO








o que busco, incessantemente,
encontra-se, provavelmente,
no lado oculto da lua...
ou nas últimas reservas
florestais do continente
africano...
se não, talvez, durma num vulcão
inativo, prestes a entrar
em erupção...
o que busco pode estar
no fundo do oceano pacífico
ou, com toda a certeza,
dentro do teu coração,

que é onde mora o meu!






segunda-feira, 21 de novembro de 2016

CORAGEM!




bom pedaço do caminho,
o maior deles, com certeza,
está vencido...

alguns sobressaltos,
sustos,  sorrisos,
alguma tristeza,
alguma alegria,
você sabe, temperos da vida...

nada que se compare com este
resto de noite suja
que vem por aí...




domingo, 13 de novembro de 2016

MINHA FÉ




é pensando em você,
intensamente,
que me reconheço por completo,,,
você,
afinal,
é meu espelho, meu dia, meu livro predileto,
pura inspiração

quase sagrada!





terça-feira, 8 de novembro de 2016

REALIDADES





Passeiam por estas ruas
todos os tipos de medos.
Também de orgulhos
e de covardias solenes.

Do amanhecer à hora incerta
das bruxas e dos magos...

Tristes passarelas onde os sorrisos,
mesmo quando sinceros,
escondem tantas derrotas,
tantas humilhações...



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

TUA, NOSSA VOZ






recupera em mim
o dom da
palavra...

fale tuas verdades
mais tenras,
rabisque um poema
ou
zombe de mim...

só não quero,
apelo,
não se cale...

enfim !




segunda-feira, 26 de setembro de 2016

SEM VOCÊ




tenho Pizarnik
em todos os momentos que
não tenho você.
e tua ausência,
embalada assim,
de verdade e arrepios,
mais do que triste,
fica cheia de
inspiração...







sábado, 10 de setembro de 2016

UTOPIAS


parcimoniosamente,
ao longo do tempo,
de todo tempo,
reconstruo gestos e
posturas que,
em mim,
fizestes desaparecer.

não cultivo mais lágrimas
nem sonho utopias
que,
agora sei,
apodreceram...





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ODONIR OLIVEIRA


DEIXA-ME  SER  POESIA



Não, não sou poeta de revoluções estéticas
porque não sou uma revolucionária mais.
Os anos vieram,
brinquei com eles,
brindei-os todos.
Hoje sou uma jardineira de rosas,
nos intervalos bebo versos,
mastigo pétalas,
danço com prazeres.
Não, não esperem de mim arroubos mais.
Escrevo o que escrevo por meus dedos
o que sentem minhas mãos.






Poesia obtida no jornalggn.com.br, de Luis Nassif



sábado, 27 de agosto de 2016

CONCEIÇÃO LIMA


A  CASA



Aqui projetei a minha casa:
alta, perpétua, de pedra e claridade.
O basalto negro, poros
viria da Mesquita.
Do Riboque o barro vermelho
da cor dos ibiscos
para o telhado,

Enorme era a janela e de vidro
que a sala exigia um certo ar de praça.
O quintal era plano, redondo
sem tranca nos caminhos.

Sobre os escombros da cidade morta
projetei a minha casa
recortada contra o mar.
Aqui.
Sonho ainda o pilar -
uma retidão de torre, de altar.
Ouço murmúrios de barcos
na varanda azul.
E reinvento em cada rosto fio
a fio

as linhas inacabadas do projeto.


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Conceição Lima é uma poeta de São Tomé e Príncipe e esta poesia foi obtida
no site Templo Cultural Delfos em cujo endereço,
www.elfikurten.com.br
outras poesias da autora podem ser encontradoas,


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

JOSEPH S. COTTER



O  POÇO  NA  BEIRA  DA  ESTRADA



Um desejo interrompe meu passo junto ao poço da beira
da estrada.

Não é de beber, pois dizem que a água é salobra.

Não é de romance, pois um coração no fim da estrada me
chama.

Não é de descansar, pois que pés poderiam se cansar quando
um coração no fim da estrada marca o tempo com seus
passos?

Não é para meditar, porque o coração no fim da estrada é
alimento para o meu ser.

Eu vou perguntar ao poço sobre meu segredo jogando uma
pedrinha dentro dele,

Ah, está seco.

Ataco ligeiro a estrada com meus pés, pois corações são como
poços. Você não sabe que eles estão secos até que queira saber
sobre o que eles têm no fundo.

Desejos bloqueiam o caminho para o paraíso, e santos perdem
suas coroas.