terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Esconderijo


Esconderijo

Onde devo guardar a imensidão
deste oceano profundo?
E os mistérios destes ventos
tão quentes?
Onde ocultar o calor destes
dias de chuva e o brilho
deste teu olhar?

Certamente nas trevas da
noite eterna, nas cavernas
esculpidas no reino da solidão,
ao lado do amor que, tão bem,
escondestes de mim...


domingo, 11 de janeiro de 2009

Isabel Solano


Espelhos e cravos
(Isabel Solano)

Anda por aí um outono de espelhos
- pressinto-o sem para ele olhar -
onde não cabe o vermelho dos cravos
que jamais deixarei de semear


sábado, 10 de janeiro de 2009

Célere vida


Célere vida

E a vida segue célere
sem tristezas que a retenham
nem desvios que a atrasem.
Segue cega, arrastando o que,
sem base, se interponha
entre ela e seu destino.
Segue célere até demais,
dando voltas em meu país.
Caudalosa ou rala,
de acordo com o momento.

Não volta nunca seus olhos.
Não volta nunca pra trás !


Insensatez


Insensatez

E ainda assim é possível vê-los.
Mesmo nesta escuridão,
nesta rua sem saída,
nestes tempos de
insensatez...

E ainda assim, por entre tanta dor,
eles existem.
Teimam em existir.

Os sorrisos,
desafiando o racional,
ainda existem.

Não sei por quanto tempo,
mas existem...


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Maus momentos


Maus momentos

E quando os ventos voltam,
frios e fortes,
varrendo as calçadas,
trazendo apreensão
e medo...
Mas passa!

E quando a chuva forte chega,
céu escuro, carrancudo,
relâmpagos e trovões,
trazendo apreensão
e medo...
Mas passa!

E quando a vida avança,
vazia e triste,
irreversível,
trazendo apreensão
e medo...

Sem retorno!


Ilustração: Monet - The house of Parliament

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Otimismo


Otimismo

O mar invade meus pensamentos,
inunda minhas vontades,
afoga meus sonhos e
deixa, na praia inacessível,
de mim, as sobras.

Abutres, em sobrevôo,
rejeitam o que restou.

Um novo dia amanhece.
O mar, calmo, não ameaça.

Tempo de renascer!

Foto: http://www.septembergrass.de/.../pics/urubu1.jpg

Jorge Reis-Sá


Jorge Reis-Sá
(Poeta português)

a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quisestes dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em Gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Imagem: http://www.anacarvalho.com/gravura/imagens/interior_...

Procura

Procura

Continuo procurando sonhos tão claros
que as noites me fizeram sonhar,
brancas praias tão quentes onde
o mar, manso e morno, meu corpo
envolveu, aquela fresca brisa, carinhosa,
que enorme calor abrandou.

Continuo em busca daquela chuva,
gelada e esperada pela terra seca,
as sombras amenas que o sol,
inclemente, nunca invadiu, o
sorriso daquela criança, tão pura,
que a vida ainda não corrompeu.

No tempo que resta, teimoso,
crente,
insistente,
ainda procuro...

Foto: http://www.africanidade.com/.../5/deserto.trEs.jpg

Verdade


Verdade

A verdade não é feita
de material sólido,
duro, resistente.
Ela é envolvida por
uma delicada combinação
de coragem e dignidade.
Uma mistura tão
efêmera
que nem sempre
se pode garantir que ela
nunca sofrerá avarias...

Foto: http://blog.file.zip.net/images/2646166-lg.jpg

Garrafa ao mar

Garrafa ao mar

Aquela garrafa jogada ao mar
que levava a mensagem importante
jamais chegará ao seu destino.
Desviou-se em correntes marinhas
adversas e,
depois de navegar pelos sete mares,
naufragou.

Aquela garrafa transportava
minha vida.