segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

NÃO DIZIAS PALAVRAS - LUÍS CERNUDA



Não dizias palavras,
aproximava tão só um corpo interrogante
porque ignorava que o desejo é uma pergunta
cuja resposta não existe,
um mundo cujo céu não existe.

A angústia abre caminho entre os ossos,
sobre as veias
até se abrir na pele,
provedores de sonho
feito carne em interrogação voltada às nuvens.

Um roço de passagem,
um olhar fugidio entre as sombras,
chegam para que o corpo se abra em dois,
ávido de receber em si
outro corpo que sonhe;
metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
iguais em forma, iguais em amor, iguais em desejo.
Ainda que seja só uma esperança
porque o desejo é pergunta cuja resposta ninguém sabe.




3 comentários:

Graça Pires disse...

O desejo. O sonho. A angústia. O olhar entre as sombras. Palavras com que o poeta se interroga e transfigura o desejo numa esperança ávida de ser vida e amor...
Um beijo, meu amigo e obrigada pelo carinho das suas palavras.

Evanir disse...

Estou comemorando 11 anos de blog.
È tempo demais dedicado a essas pessoas lindas de Deus
que fui conhecendo ao longo dessa caminhada.
Deixei um mimo na postagem se for do seu agrado
leve ficarei feliz.
E ficarei feliz da mesma forma se ñ levar eu entendo.
Meu eterno agradecimento pelo seu carinho e atenção
mesmo em momentos muitas vezes triste.
Você estava lá marcando sua doce presença.
Um carinhoso beijo.
Um abençoado final de semana.
Deus abençoe por tudo.
Evanir...
Lindo poema amigo .

Solange Duarte disse...

Gosto do teu jeito de escrever..lindo poema..

Bjs.Sol