quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Velhos ventos


Velhos ventos

Velhos ventos,
são os mesmos que,
invadindo cidades,
as destróem,
quando irados...

Velhos ventos,
tão doces, também acariciam
teus cabelos e,
quentes,
embalam os teus
sonos,
os teus sonhos!!!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hilda Hilst


Do amor
(Hilda Hilst)

Costuro o infinito sobre o peito
E no entanto sou água fugidia e amarga
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedra, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Foto: http://i3.photobucket.com

Ondas de segredo


Ondas de segredo

As ondas do mar vêm,
rolam e tocam meus pés.
Guardam segredos
milenares
que testemunharam e
que recusam contar.
Conhecem o segredo
sobre o qual,
tocando meus pés,
permanecem caladas.

Estranhos mistérios
dominam.
E, carinhosamente,
docemente,
acariciam a quem
nada podem dizer!

Desarticulado


Desarticulado

Corro em torno de mim mesmo
e desconheço o cenário.
Onde anda aquele mapa
onde eu, dissecado,
na escala adequada,
me encontro explicado e
perfeitamente compreensível?

Onde anda o manual
de consultas que expõe
tão claramente minhas
funções e modo de uso?

Não me deixe simplesmente
aqui jogado, por falta de
informação.
Nem mesmo eu, deste modo,
encontro a solução.

Foto: http://pt.dreamstime.com

domingo, 23 de novembro de 2008

Disfarce


Disfarce

Ando sim pelas sombras
a me esconder.
Acossado pelas luzes
busco na noite o disfarce,
lugar ideal pra viver.
Que outra forma de fugir,
de me esconder da
verdade?
Como expor, mostrar meu rosto
e toda minha tristeza,
depois daquele teu
adeus,
dito em dia tão claro!

Silêncios


Silêncios

Quando entre nós
desabou o silêncio,
o mais absoluto silêncio,
foi com com um ensurdecedor
estrondo.
E o passado inteiro,
esmagado pelo peso
do silêncio,
não resistiu.

Sufocou-se e
morreu!


Foto: http://prof2000.pt

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Rotina


Rotina

acho tanta graça!
esta vida tão louca,
tão desatinada,
tanto a fazer e
tanto não feito.
essa vida, não tem jeito,
não passa!


Foto: http://simplesmenteoutono.blogger.com.br

Pedras


Pedras

Piso nas pedras ao caminhar
por estas antigas ruas.
Pedras desgastadas pelo passar
dos longos anos em que
elas aqui estão.

São de pedra as construções,
as casas que habitei por aqui.
Pedras resistentes, responsáveis
pela solidez desta cidade.

É de pedra teu coração,
resistente como estas paredes.
E eu, desgastado como
este velho piso.


Foto: http://img.olhares.com

Outra vez


Outra vez

Tão fácil
parecia ser
que até duvidei
que faria...
Me concentrei,
foquei,
me esforcei e

errei!


José Inácio Vieira de Melo


Centauro Escarlate
(José Inácio Vieira de Melo)


O teu centauro te espera,
monta em seu dorso
e vê o mundo pelos olhos da esfínge:
és o enigma, não o decifrador.

A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.

O teu centauro te espera
e o mundo é tudo o que a gente percebe:
é só sair por aí descobrindo
o que nunca vai ser teu.

E quando for noite alta
e os acordes de uma aquarela
luzirem dentro de teu espírito,
deixa o centauro que habita em ti
galopar, galopar, galopar
e transcender a ti e a tuas explicações.

Há de existir um lugar
onde os teus mistérios possam descansar.