quinta-feira, 27 de novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Hilda Hilst
Ondas de segredo

Ondas de segredo
As ondas do mar vêm,
rolam e tocam meus pés.
Guardam segredos
milenares
que testemunharam e
que recusam contar.
Conhecem o segredo
sobre o qual,
tocando meus pés,
permanecem caladas.
Estranhos mistérios
dominam.
E, carinhosamente,
docemente,
acariciam a quem
nada podem dizer!
Foto: http://baixaki.ig.com.br
Desarticulado

Desarticulado
Corro em torno de mim mesmo
e desconheço o cenário.
Onde anda aquele mapa
onde eu, dissecado,
na escala adequada,
me encontro explicado e
perfeitamente compreensível?
Onde anda o manual
de consultas que expõe
tão claramente minhas
funções e modo de uso?
Não me deixe simplesmente
aqui jogado, por falta de
informação.
Nem mesmo eu, deste modo,
encontro a solução.
Nem mesmo eu, deste modo,
encontro a solução.
Foto: http://pt.dreamstime.com
domingo, 23 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Pedras

Pedras
Piso nas pedras ao caminhar
por estas antigas ruas.
Pedras desgastadas pelo passar
dos longos anos em que
elas aqui estão.
São de pedra as construções,
as casas que habitei por aqui.
Pedras resistentes, responsáveis
pela solidez desta cidade.
É de pedra teu coração,
resistente como estas paredes.
E eu, desgastado como
este velho piso.
São de pedra as construções,
as casas que habitei por aqui.
Pedras resistentes, responsáveis
pela solidez desta cidade.
É de pedra teu coração,
resistente como estas paredes.
E eu, desgastado como
este velho piso.
Foto: http://img.olhares.com
Outra vez
José Inácio Vieira de Melo

Centauro Escarlate
(José Inácio Vieira de Melo)O teu centauro te espera,
monta em seu dorso
e vê o mundo pelos olhos da esfínge:
és o enigma, não o decifrador.
A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.
O teu centauro te espera
e o mundo é tudo o que a gente percebe:
é só sair por aí descobrindo
o que nunca vai ser teu.
E quando for noite alta
e os acordes de uma aquarela
luzirem dentro de teu espírito,
deixa o centauro que habita em ti
galopar, galopar, galopar
e transcender a ti e a tuas explicações.
Há de existir um lugar
onde os teus mistérios possam descansar.
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