domingo, 17 de maio de 2009

Sorriso roubado

Sorriso roubado

No chão em que teus pés pisaram,
caminhei de rosto erguido,
o prazer estampado na cara.
Foi lá que meus olhos brilharam,
que me senti, uma vez, vitorioso.
Foi lá que encontrei a lua
e que de seu brilho provei.
Dela desvendei seus mistérios,
seus segredos, seus encantos.
E posso dizer agora,
que dela sorvi o sorriso
que agora consigo entregar.

No chão que teus pés pisaram,
quero saber ficar.
É lá que quero sorrir!

sábado, 16 de maio de 2009

Lua cheia

Lua cheia

A lua que surge enorme,
cheia,
no leste de nossas almas
parece adivinhar que a
noite é encantada.

Nasce de um dia banhado
de sol,
quente e longo,
como meus pensamentos
a teu respeito.


Talvez ela dure toda a noite
e, distraída, avance
pelo dia, amanhã,
empanando o brilho do sol.

Fica aqui.
Brilha pra mim.
Não deixe que ela, tão linda,
se imagine única no mundo...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Visão, se possível

Visão, se possível

E sempre que eu precisar de ânimo,
quando a desesperança cair
como chuva fina e insistente.
Quando, alquebrado, estiver
a garganta seca,
com sede de muita fé.
Quando ao trocar os passos
meus pés já estiverem apenas
se arrastando como a própria
vida, só restará estender
minhas mãos secas,
buscando as tuas
e ter certeza de que este toque,
se possível,
ainda significará algum tipo
de comunhão.
A visão ainda possível da vida.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Silenciosa

Silenciosa

Mesmo que eu desejasse total silêncio
e tivesse poder absoluto para alcançá-lo,
jamais poderia atender minha vontade.
Tua presença, por mais tranquila que seja,
é tão incrivelmente sonora, impossível de
não ser ouvida, mesmo que permaneças
calada por todo o tempo.
E, também, visível, mesmo na mais
completa escuridão.
Manifestações típicas de quem nasceu
para se destacar, se fazer notar, existir,
brilhar...
Assim é você!
Impossível de ser invisível, silenciosa,
calada, esquecida...
Por mais que eu não queira perceber!

Ilustração: Mulher / Pablo Picasso

domingo, 10 de maio de 2009

Vento e vida


Vento e vida

Quebrando a magia da noite,
na madrugada tão fria,
feito meu coração,
caminha aquele homem estranho,
solitário e encolhido.

Vai depressa, sem saber destino,
ansioso por nada encontrar,
com pressa pra descansar.
Mal sabe que o tempo é
como vento, que passa sem
se importar com os estragos
que sabe provocar.

Volta para ninguém, para nada,
destino de todo vivente,
por mais que se queira enganar.

Há de terminar a noite.
Há de terminar o vento.
A vida, enfim!

Foto: bp1.blogger.com/.../906145798_eb2eb366e3.jpg

Grito

Grito

Desce pelas montanhas
um grito seco, desesperado,
que arrepia todas as almas
até então tranquilas.
Menos a minha!

Todos sentem um nó
na garganta que oprime,
assusta e faz
o sangue congelar nas veias.
Todos, menos eu!

Olhos esbugalhados,
tremendamente apavorados,
revelam o pavor que
cada um sente.
Cada um, menos eu!

Não sinto o nó na garganta.
Meu sangue não congela.
Meus olhos não mostram pavor.
O grito não me apavora.
O grito é meu!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Boas notícias

Boas notícias
Nem todas as notícias que chegam da terra
são ruins.
Há as informações que falam de ti
e dizem da tua vida.
Motivos para que eu queira...
Para que eu faça viajar a mente.
E sonhe.
Engulo esta distância em segundos,
para me sentir ao teu lado,
lembrar o doce da tua presença,
ouvir,
finalmente,
as boas notícias da terra...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Guerra suja

Guerra suja

O que eu não daria para resgatar da história
todas as derrotas que já sofri,
todos os recuos que eu pratiquei.

Onde está a honra desta luta insana?
Onde o caminho pra a vitória final?
Quantas vezes fui o ferimento,
o sangue que se derramou nesta
terra seca, neste fim de mundo
em que a vida se transformou.

Quantas vezes fui a lágrima doída,
o pranto que pelos mortos tantos
choraram?
Sou agora, travestido e sentido,
a ânsia de um fracasso anunciado,
de uma guerra suja, que o tempo
todo eu sabia, sem anunciar!


domingo, 3 de maio de 2009

Inverno

Inverno

Tardes menores, sol se despedindo mais cedo.
É o inverno que vem, que se aproxima,
como sempre.
Já se é possível sentir um arrepiar na pele,
um toque tão fresco, a prometer rigores nas noites.

Se inclemente,
brancas serão as manhãs deste inverno,
frias como o teu coração.
Se duradouro, castigando-me todo o tempo,
poderei chamar a estação, como intima

conhecida, por teu nome!

Anna Akhmatova

Primeiro aviso
(Anna Akhmatova - Poetisa russa)

De que nos importa
que tudo volte ao pó?
Sobre tantos abismos cantei,
em tantos espelhos vivi.
Não sou nem o sonho nem o consolo
e menos ainda o paraíso.
Talvez, mais do que o necessário,
te aconteça de relembrar
o sussurro destes versos que se acalma
e este olhar que oculta, bem lá no fundo,
no tremor de seu silêncio,
uma coroa de enferrujados espinhos.