sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Soledade Santos


Não precisamos de muita coisa
( Soledade Santos)

Não precisamos de muita coisa,
um pouco de sol e as berlengas no
horizonte,
a tarde escorrendo na cafeteria,
os nossos olhos lentos e as vidraças
subitamente acesas no esplendor das
bátegas,
patos selvagens erguendo-se na lagoa
quando sairmos e ao vento frio
oferecermos
a transparência dos lábios cercados
pela melancolia da tarde que se nos finda.

E à noite talvez as mãos
ardidas de saudade e em surdina
uma canção de Ella e Louis Armstrong.


Ilustração: gstatic

5 comentários:

MEUS PENSAMENTOS disse...

poeta tenha um belo fim de semana bjos!

Anne M. Moor disse...

Essa é das minhas! Que coisa bem boa. As coisas boas da vida são pequenas e tão importantes...

Beijos poeta
Anne

Vivian disse...

..."A CHUVA VOLTOU

A chuva voltou esta noite
no lamento do vento nos
vidros, nos meus olhos
a chuva voltou.

É tudo quanto soa e sabe
bem ouvi-la ter um pretexto
para o silêncio dizer apenas
ouve como canta nas telhas
e desagua no pó.

Soledade Santos

Bj, poeta!

Anne M. Moor disse...

Ai Rangel, voltei pra suspirar neste poema tão lindamente escrita! Descreve tão bem o prazer de viver em paz! Obrigada por compartilhar.

bjinhos

Valéria disse...

Rangel, lindo texto.
É disso que precisamos na vida, no dia a dia: coisas simples.
Valéria