quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Te feri


Te feri

Sou tuas mãos.
Desperdicei as flores que colhemos.
As pétalas, ao menos, deveria ter guardado.
E não o fiz.
Me feri nos espinhos
e estas dores são tudo o que me resta.
As dores e um desejo imenso de te levantar,
enxugar tuas lágrimas,
te por em pé e
reiniciar a jornada...

Fortaleza



Fortaleza

Não busque em mim
aquela rocha,
aquela firmeza sobre-humana
que só os super-heróis possuem.
Como você, sou gente.
Padeço das mesmas fraquezas.
Também choro e fico inseguro
toda vez que te imagino
perder...


Foto: http://www.fotoplatform.pl

Agustina Bessa-Luis


Garras dos sentidos
(Agustina Bessa-Luis)

Não quero cantar amores,
amores são passos perdidos,
são frios raios solares,
verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
com asas de ferro e chumbo,
caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
contentamentos injustos,
feliz adversidade,
amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
alegre festa de pranto,
são furor obediente,
são frios raios solares.

Da má sorte defendidos
os homens de bom juízo
têm nas mãos prodigiosas
verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
nem falar dos seus sentidos.


Foto: http://www.imotion.com.br

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Como sempre


Como sempre

O vento batia forte no meu rosto,
mas não me impedia de ver
o caminho.
Olhos cerrados.
A garganta, seca, era pouco
comparada à ausência de tudo,
ao nada,
ao desconforto total.
E eu só!
Como nos velhos tempos!
Como sempre!


Vida, para sempre



Vida, para sempre

Vida que corre célere,
como aquele trem que
te trouxe de tão longe e
que te fez deixar lá
um pedaço de tua alma
sem com isso atinar.

Vida que não perdoa
nenhum pequeno erro,
por menor que seja,
e que, ao contrário de nós,
não vira o rosto para trás,
para lamentar um passado
que ela não tem.

Vida que nos juntou,
nos colocou lado a lado,
para que pudessemos,
nos amando ou
nos machucando,
deixá-la marcada.

Para sempre!


Convivência


Convivência


E no meio do rio tem aquelas pedras,
que não sei se são para enfrentar a correnteza
ou para embelezar ainda mais o cenário.

E por mais que as águas subam e corram,
não importa o volume e velocidade,
as pedras lá permanecem.

E por mais que as pedras lá estejam,
firmes e sólidas,
as águas nunca deixam de correr.


Foto: http://www.1br.biz

domingo, 2 de novembro de 2008

Sem você

Sem você

Já te substituí pelos passeios
das tardes de domingo.
Te troquei pelas viagens solitárias.
O brilho dos teus olhos
deram lugar ao brilho
das noitadas.
Tua presença física, acredito,
esqueci.
Coloquei velhos amigos no teu lugar.
Tua voz, tuas palavras
se foram.
Leio um bom livro no lugar delas.
E quer saber do que mais?

Não suporto mais minha teimosia.
Volte.
Não vivo sem você.

Esta tal desta saudade


Esta tal desta saudade


E esta tal desta saudade,
que não passa, que maldade,
machucando, torturando.
Tomou conta do meu peito
me deixando deste jeito,
destruido pra valer...

E esta tal desta distância,
ganhou tanta importância,
muito mais que desejei.
E o tempo vai passando,
o coração fica chorando,
destruido pra valer...

Ela sabe


Ela sabe

Ela sabe como ser tão bela
quando quer.
Sabe ser doce, ser mulher...

Ela sabe sempre se impor,
ocupar o seu lugar.
Sabe como se fazer amar...

Ela sabe mesmo ser amada,
sabe ser querida,
sabe como ser a minha vida...

Escrava


Escrava

Escrava que, para mim,
se faz Senhora,
ensina a este pobre menino
as artes do amor.
Toma-lhe as mãos
e o corpo,
deita-o em teu colo
e sorve-lhe
toda inocência ...

Faz dele teu Senhor
e torna a ser
escrava.
Eternamente escrava...
De um único Senhor !


Foto: tttp://www.img249.imageshack.us