segunda-feira, 23 de julho de 2012

Perguntas



Não são respostas que
busco, apenas.
Também, quem sabe,
perguntas.
Porque buscar,
insistir em querer
encontrar respostas
somente?


Respostas são sempre
mais fáceis de
se encontrar que
a pergunta inteligente,
decisiva!






ilustração obtida em grupoboiadeirorei.blogspot

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um pouco mais que haiku de amor (David Teles Pereira - poeta português)


Tenho medido os dias a cigarros rápidos e imprecisos
fumados até o litoral dos teus olhos. Continuo...
no mesmo lugar de sempre, devolvendo
às cadeiras o sorriso emprestado pela familiaridade
dos seus gestos tão pouco poéticos.


Tenho acertado os dias pelos copos que agora
estão -ou estarei eu?- vazios. Vai-me pedindo
mais um copo, que eu vou convocar
certos demônios no espelho da casa de banho e, depois,
beber um pouco de água opaca, lavar bem as mãos, secá-las
e regressar à mesa quatro minutos menos feliz.


Não morras nunca, digo-te, acrescentando logo a seguir
que, mesmo assim, não quero falar da morte,
muito embora -desculpa-me a insistência- 
o teu cabelo hoje me pareça mais preto que nunca.
Sorris.


É o que me vale, sabes sorrir tão bem.




ilustração tirada da internet

domingo, 8 de julho de 2012

Velho amigo


Para o meu grande amigo Dick...
Que decidiu ir.




porque estas lágrimas
esparsas, espessas,
profundas,
esta dor de punhal
por ocasos incompreensíveis
aos que te rodeiam.


porque sentimentos estranhos,
tantos, 
ao menos para pessoas,
aquelas normais.


cala em teu peito a dor.
lembra só tu daqueles momentos,
de silêncio e paz,
guardados agora.






ilustração obtida no blog alimentodafe.blogspot

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O que peço ao dia - (Vicente Gallego)



O que peço ao dia já não é
que se cumpram os sonhos, que me entregue
cumpridos os desejos de outros dias,
porque enfim aprendi que os sonhos
são como as asas de um inseto:
quando lhes tocamos desfazem-se;
quando um sonho se realiza torna-se outra coisa
que não ajuda a voar.
O que peço ao dia começa a ser, aliás,
nais difícil ainda de alcançar
que sonhos realizados, porque exige
a antiga fé nos sonhos.
O que peço ao dia é simplesmente
um pouco de esperança, essa forma modesta
de felicidade.




ilustração tirada do blogdogibanet.wordpress

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Doce veneno



Toma minhas mãos entre as tuas
e, como quem cuida do céu,
deita meu corpo cansado.
Repousa minha cabeça em teu colo.
Fale baixinho de todas
as saudades que sentes.


É feito de doces palavras
o veneno mais forte que conheço!






imagem obtida no blog tainaalcantara.blogspot



domingo, 24 de junho de 2012

Tardia manhã



Esta semi-luz tão tênue
a indicar manhã tardia,
tão fria,
e esta distância de léguas
a sinalizar solidão
insistem em me fazer calar
e esperar
manhãs mais quentes,
sorrisos mais serenos e
largos espelhos
onde eu possa ser
acolhido...




imagem obtida no site enciclopédia.com.pt

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sou já tão velho



Sou já tão velho, quem diria!
Não tanto pelo somar dos anos.
mas pelo acumular de decepções,
pelos muitos recomeços,
pelo desgastar de esperanças.
Sou já tão velho.
E busco, ainda, uma sombra,
um lugar, um nome...
Um olhar jovem, a brilhar.




ilustração retirada de fatosehistorias.no.comunidades.net

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Exercício da vida



Que chegue até mim o
som da trovoada e
que seja duradoura
a ansiada chuva que
a precede...


Dos frutos que ela gerar
separe-se o mais doce
deles para que se celebre
a vida!




ilustração extraída de blogs.diariodonordeste.com.br

sábado, 9 de junho de 2012

Sem juízo



E assim te consumo
e me consomes
e nos desgastamos, nos despedaçamos
sem dó nem juízo...
Gastamos o tempo,
enfrentamos o vento, sem armas,
sem armaduras,
sem guerras, sem motivos,
até que finde a noite,
até que a vida se finde...




ilustração retirada do blogue psicenter.wordpress.com

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pôr do sol


Olhava, toda tarde, o pôr do sol,
sombras engolindo lentamente
esperanças.
Rotina de olhos úmidos, imóveis,
rotina de nó na garganta.
Nada ouvia, até,
não importando se ruído, se voz.
O silêncio perdurava até
o amanhecer, parecia.
Não era vida, mas castigo...
Quanto tempo mais?
Só ela sabia.
Só ela sabia se um dia voltaria...




ilustração retirada de casepagam.blogs.sapo.pt