quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Olhos fechados...


Cores que escorrem pelos olhos,
visão toldada,
doce cegueira,
encantos e brilhos,
impossíveis a olho nu.
Inesgotáveis.
Sexto e mais prazeiroso
sentido -
imaginação.

Imaginar, quase tocar,
tão forte, tão frágil...
tão você,
tão eterna.
Escorre pelos olhos,
fechados!

Ilustração: 3.bp

sábado, 4 de setembro de 2010

Se você existisse...


Falaria de noites amenas,
se você existisse.
Dos mistérios e domínios da lua e,
como todo romântico,
de infindáveis caminhadas,
de chão tão florido,
tão seguro.

Falaria de esperas eternas,
se você existisse.
De cansaços passageiros e,
como todos os incorrigíveis românticos,
de descansos.

De sorrisos honestos.
De saudades sepultas.

Mas você existe e, apesar disto,
me calo!

Ilustração: espelhoselabirintos

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Reviravolta


Não há como impedir o reboliço
que este vento traz,
nem manter teus cabelos
alinhados.
Mas é de reviravoltas e agitação
que este amor sobrevive.
Terrível a bonança,
que mantém tudo em seus lugares,
teus cabelos assentados
e este amor tão frio!


Ilustração: 2.bp

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caminhos

Distâncias desperdiçadamente percorridas.
Sorrisos travestidos de verdade.
Olhares diluídos no nada.
Passar da vida.
Restam vazios,
sobram migalhas.
E a cara feia da realidade
dói na alma, como a fome.

Inevitável caminhar.
Como em rio pedregoso,
que muito bate...
Apanhar, pra chegar...

Ilustração: deviantart


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Restos


Pelo que resta da janela
surge o sol, escaldante,
impiedoso.
Ou o que dele resta.
Arde na pele esta saudade,
esta ausência de desejar.
Ou o que dela resta.
Pelo que resta dos meus olhos
sinto tua presença,
completa.
Vejo tuas mãos,
meigas.

Ou o que delas restam...

Ilustração: espaçoaberto

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fortes ventos


Quando os ventos são de
lembranças,
quentes ou frias,
soprando sem piedade,
é tempo de saber
que a morte
não tarda por esperar.

Quando os ventos vêm
daqueles tempos,
daqueles momentos,
é tempo de
esquecer...


Ilustração: 2bp

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quisera


A casa era antiga,
daquelas de pé direito alto,
grandes janelas,
enormes e grossas portas,
do tempo dos quintais.

Lugar aprazível
onde os pássaros,
passantes,
sempre faziam pouso.

Lugar onde a lua,
tão volúvel,
se apaixonou certa vez
e lá fez morada,
como eu quisera ter feito.

Casa antiga, amor antigo.
Como já não se fazem mais...


Ilustração: google

sábado, 14 de agosto de 2010

Nada


Que mais devo deixar-te
além desta sombra de
sorriso,
das palavras vazias que sempre
te dei
e dos dias tão longos
que nunca dividimos?

Que mais devo levar
além de tua voz até já
esquecida,
teu abraço que há muito se
calou
e os momentos tão longos
que nunca dividimos?


Ilustração: mahadjor.blogs

domingo, 8 de agosto de 2010

Destino


talvez eu devesse mesmo fazer esta
viagem.
virar a noite nela.
chegar docemente ao destino,
estação não tão distante,
não tão amarga.
talvez eu devesse mesmo fazer esta
viagem.
virar a vida nela.
estação já tão próxima,
vida tão valiosa,
tão delicada.
não tão amarga.

Ilustração: 1.bp

domingo, 1 de agosto de 2010

Um dia


O sol invade a sala,
de repente,
e nos faz incômodos.
Ruído das ruas,
vida normal,
o que nos faz comuns.
O relógio, inquieto,
não consegue nos evitar e,
constante,
marca pobre rotina.
Rola a vida,
assim,
sem jeito, sem novas...
O que nos faz,
simples mortais.


Ilustração: 2p