quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lago

Era um lago,
imenso,
de águas claras,
às vezes, poucas vezes,
turvas,
de águas frescas,
às vezes,
mornas,
agradável, envolvente,
onde sempre me banhei.

Lago onde a lua fez morada.

Era um lago,
imenso.
Eram, sempre foram,
teus olhos!



Ilustração: i.olhares

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eterna


Mesmo que dure,
a noite,
o resto da vida,
ainda assim,
terá valido a pena
não ter
adormecido...



Ilustração: marcioruno

sábado, 3 de abril de 2010

Noites minhas


Distante estou
daquele poente,
daquele anunciar de noite.
Calma.
Distante, cada vez mais.

As noites turbulentas,
sem sinal de luar,
estas sim,
cada vez mais íntimas,
cada vez mais minhas.

Ilustração: garatujando.pt

domingo, 21 de março de 2010

Calar


Às vezes me calo.
E daí este calar,
como se o punhal
se acomodasse
por entre minhas
carnes.

Às vezes me calo.
E sangro,
como se a dor,
por si só,
não fosse suficiente,
não tivesse sentido.

Às vezes me calo.
E o silêncio me veste,
como mortalha pesada.
E eterna.


Ilustração: lanc.com

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Oeste


Olhar para o oeste
e ver, resumida,
a imagem de meus dias,
nem sempre,
quase nunca,
coloridos.

Olhar para o oeste
e ver, em detalhes,
o que, nem sempre,
merece
ser visto...


Ilustração: atuleirus

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Incômodo

De todos os silêncios
restou este ruído opaco,
incômodo,
porque é da minha vida...

De todas as palavras ditas
restou este murmúrio fraco,
incômodo,
porque é da minha vida...

De todos os olhares
restou este esgar de sentimento,
incômodo,
porque é da minha vida...
De todos aqueles momentos,
incômodos,
restou este vazio eterno
em que se transformou a minha vida!


Ilustração: pic20.picturetrail

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quando foi mesmo?

Quando foi que pedistes que eu,
sem receio,
expusesse minhas sortes,
minhas dores?

Quando foi que pedistes,
que eu,
corajoso,
gritasse teu nome,
bem alto,
completo?

Nunca,
talvez!

Porque não gritei,
nem me expus.

Porque o tempo se foi...
E você, também...


Ilustração: cedrorosaaclimacao

sábado, 9 de janeiro de 2010

Quero!


De tua embriaguez
quero ser o copo,
quero ser o rosto,
o amargor
de tanta
dor...

De tua alucinação
quero ser o corpo,
quero ser o oposto,
o repouso
de tanta
dor...


Imagem: The surprise/Claude-Marie Dubufe

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Encantadora

Encantadora

A manhã se faz viva,
escaldante, já,
colorida.
Afasta de uma só vez
os pensamentos,
atitudes sombrias,
que fizeram a noite se arrastar
e,
plena de luz,
de sons, encantadora,
desentorpece este
coração!

Ilustração: overmundo

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vitorino Nemésio

Um fio de asas
(Vitorino Nemésio)

Quando penso no mar, o mar regressa
a linha do horizonte é um fio de asas
e o corpo das águas é luar;

De puro esforço, as velas são memória
e o porto e as casas
uma ruga de areia transitória.


Ilustração: catedral